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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
AT&T e as pinturas nas mãos
domingo, 4 de julho de 2010
Favela Painting
A dupla holandesa Haas&Hahn criou o projeto Favela Painting para tentar transformar as favelas do Rio de Janeiro em monumentos visuais essenciais ao Rio e, assim, melhorar as condições de vida dos moradores, trazendo orgulho e alegria ao mesmo tempo em que expõe a situação deplorável em que vivem. E não é que eles conseguiram?
O projeto começou em 2006, na Vila Cruzeiro. Junto com os moradores, que são treinados para desenvolver o trabalho com perfeição, transformaram o morro num gigantesco rio de carpas. A repercussão foi mundial e deu possibilidade de expansão do projeto.
A segunda ação da dupla foi no Morro Santa Marta, onde transformaram com muita cor a praça central e a quadra da escola de samba. Atualmente estão captando fundos para voltar ao Rio este ano e continuar o projeto por toda a favela. Você também pode contribuir, acessando os sites abaixo e divulgando essa idéia. No site oficial há vários vídeos making off, bastante interessantes.
Sobre a Fundação Firmeza
Favela painting é um projeto da fundação firmeza. A Fundação Firmeza cria trabalhos de arte impressionantes em lugares onde pessoas estão socialmente excluídas. A Fundação colabora com pessoas locais usando arte para combater preconceito, criar soluções sustentáveis e atrair a atenção do mundo. Os trabalhos de arte contribuem no sentido de orgulho e consciência nas comunidades onde estão produzidos. Fazendo todos os passos do processo criativo abertamente e guiado pela comunidade, a Fundação contribui para educação da juventude local e motiva residentes a melhorar seu ambiente.
Textos de Eduardo Rocha (com modificações)
Site oficial: Favela Painting
Site em português: Favela Painting
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Abertura da novela Passione - MAKING OFF
Fui atrás para saber como foi feita e olha só o que descobri: A obra foi realizada por mãos humanas (sim, nada de Computação Gráfica), num galpão enorme, e sob a coordenação de nada mais nada menos que Vik Muniz, aquele mesmo que desenha com geléia, macarrão e confete. Eu que já era fã, adorei mais ainda essa intervenção com sucata no horário nobre.
Com vocês, o making off para provar que não houve CG =) :
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Exposição ENTRE.LINHAS - Arte digital e Design
E pra comemorar meus 15 anos de design...
Me convidaram para uma exposição de... Arte Digital (?) em Pirenópolis (?) e eu aceitei =) Por que não?
Tá certo que eu nunca enxerguei meu trabalho como "arte", mas depois de vasculhar empoieirados bits no meu agora falecido Frank (como chamava meu PC), vi que certamente poderíamos aproveitar algo.
Logo que cheguei à faculdade me deparei com o eterno ranço existente entre estudantes de desenho industrial e de artes plásticas. "Não, isso não tem uma utilidade, logo isso não é design". E, realmente se você pensar friamente e tentar encaixar tudo milimetricamente em seu papel, isso faz sentido. Porém, se você como designer busca melhorar seu trabalho a cada dia não levando em conta movimentações artísticas, novos e antigos padrões estéticos e principalmente não se dá a abertura necessária para que seu trabalho flua; sinceramente você está sendo um mero "executor" do projeto de algum chefe palpiteiro.
Penso que o design expressa primordialmente uma necessidade de um público, um mercado, um cliente. Mas no fundo, sendo uma necessidade coletiva, por quê não pode esta necessidade ser estética, visual pura e simplesmente? Será que TODO design precisa ser produzido industrialmente e tem que ter uma utilidade concreta? E mais: pra quê rotular toda e qualquer peça?
O cotidiano do designer roots está repleto de referências artísticas: sua camiseta, seu desktop, sua mochila, seus moleskines (caderninho de desenhos), seu estojo de lápis, suas roupas e all star customizados, sua caneca favorita... São todos itens de design, pois foram produzidos industrialmente e têm utilidade expressa em suas funções principais. Mas, repare o conteúdo e a forma: na camiseta, estampa da Amelie Polain, um filme considerado de arte. No desktop toys de animações da Pixar e Dreamworks divindo espaço com porta-canetas do Mondrian. Na mochila, serigrafia de caveirinhas ou manchas de tinta abstratas. No moleskine não precisa nem dizer que quem tem um desses gosta muuiiiiito de desenhar, e geralmente o desenho é considerado uma forma de arte. Em seu estojo de lápis, nanquim em várias espessuras e alguns lápis coloridos em cores primárias para qualquer emergência. A roupa e o all star customizado escapam da produção industrial (pelo menos por enquanto), então qualquer cadarço pintado à mão entra para a categoria arte. E a caneca favorita? Você usaria uma caneca com uma foto sua mãe em Caldas Novas? Bom, eu prefiro uma caneca com uma ilustração bacana, autêntica, com cores, pra variar. Uma reprodução do Matisse no box do banheiro ou um cartaz numa exposição de arte rompe qualquer barreira que um dia possa ter havido entre arte e design.
Ficamos indignados, nos sentimos frustrados e até mesmo ofendidos quando alguém nos chama de "artista" (já vi acontecer várias vezes, eu inclusa), mas não paramos para raciocinar o quanto de artista temos em nós.
Desde a simples referência ao modernismo em um cartaz até na arrogância em tratar com o cliente, impondo a nossa vontade pessoal sobre as necessidades dele. Não estou dizendo aqui que artistas são arrogantes, mas o fato de fazermos um projeto maravilhoso, mas que não atenda as especificações do cliente nos leva um pouquinho mais pro lado da arte do que gostaríamos. E veja, isso pode ser ruim para o cliente, mas pra nós é até saudável aquele velho sentimento de "Cara, tá lindo! Se ele não quiser, eu quero".
Não vamos ser hipócritas, certo? Há momentos em que simplesmente sento na frente do painter e começo a testar brushes novos, sem intenção ou pretensão alguma, até que formas começam a surgir. Trabalho, brinco, apago, não estou nem aí se vai ficar bem acabado ou não, e aquelas preocupações naturais que às vezes engessam o trabalho de quem costuma mandá-lo para a gráfica. Faço porque preciso, porque sinto e acabo usando os meios que já conheço e trabalho há muito tempo, ou seja: softwares gráficos. Essa falta de preocupação no resultado final acaba nos libertando das obrigações formais e estéticas que o job do cliente sempre nos impõe. Estamos aí trabalhando para ninguém, só pra ver o quê vai dar, ou na melhor das hipóteses, para nós mesmos.
Gostando ou não, somos influenciados pela arte diariamente e nosso trabalho cada dia mais se mistura mais com ela, a ponto de em certas peças não sabermos dizer mais o que é arte pura, design com arte, somente design, ou nenhum dos dois, rs. Por essas e outras, revisitando jobs antigos, coisas recentes, publicados ou não, decidi aceitar o convite sim, e sabendo que não sou nenhuma artista plástica, resolvi dar a cara a tapa, aberta a críticas e até investir um pouco mais neste caminho de produzir mais coisas para mim do que para clientes. Na faculdade e no mercado isso sempre foi pecado mortal, mas cara.... como é bom experimentar! =)
ENTRE.LINHAS, é ao mesmo tempo uma exposição e uma pequena provocação, pois brinca com o fato de misturar arte e design profissional, tudo produzido digitalmente, sem se preocupar muito com a rotulação formal que costuma querer separar arte do design e o design da arte.
A exposição ENTRE.LINHAS fica no Espaço Cultural Flor da Costa em Pirenópolis de 01 a 20 de maio e a entrada é gratuita, com direito a bar e pub sextas e sábados.
domingo, 27 de dezembro de 2009
Livro com acervo da Biblioteca Nacional mostra
a evolução da arte gráfica no país
por Amaro Junior
No século em que o termo e a prática das propinas eram apenas uma determinação régia, que consistia em remeter para a Real Biblioteca um exemplar de todos os impressos produzidos nas oficinas tipográficas de Lisboa e na Imprensa Régia do Rio de Janeiro, o volume faz um panorama evolutivo da produção gráfica a partir da chegada da corte portuguesa em 1808 e, consequentemente, com os prelos reais dando início à história oficial dos impressos no Brasil. Desde então, até as três primeiras décadas do século 20, o livro está prenhe de jornais, revistas, livros, estampas e os chamados impressos efêmeros, ou avulsos (cartazes, rótulos, anúncios, folhetos, santinhos, cardápios etc.).
Como grande desafio do século 19, o livro mostra as primeiras tentativas de integração entre texto e imagem na página impressa. Somente após muita experimentação entre diversas técnicas, que se pôde realizar publicações com ilustrações. Mesmo assim, no princípio, uma solução muito comum em livros era a de imprimir imagens e textos em páginas separadas, em função das dificuldades de conciliar a distinta técnica de impressão entre imagem e texto.
As cores também sofreram experimentos. Um exemplo quase impossível de se imaginar atualmente aconteceu nas décadas de 1860 e 1870, em que algumas revistas, após tentativa frustrada de aplicação de cores, devido aos altos custos, seguiram pintando suas páginas manualmente, exemplar por exemplar, e, muitas vezes, em grandes tiragens.
Como gênero jornalístico, a fotografia só recebeu novo olhar no início dos anos 1920, acrescentando ao ato sagrado de registrar e documentar a interação à estrutura das páginas, por meio de intervenções, como recortes, molduras, colorização e até fotomontagem. Essas e outras histórias poderão ser apreciadas no ótimo trabalho da Verso Brasil Editora.
Com aproximadamente 350 ilustrações, a maioria inédita ao grande público, a obra é testemunha de que diante de recursos audiovisuais, internet e o hibridismo dos meios de comunicação, a indústria gráfica evoluiu, cresceu e ainda cresce em quantidade e variedade. A compreensão da história da visualidade, que o volume oferece, é essência para entendermos o porquê de vivermos em uma época dominada por imagens. As técnicas de reprodução, aliadas ao bom gosto e talento de alguns profissionais, geraram sedutora beleza nos primeiros trabalhos gráficos produzidos no Brasil, boa parte registrada nas 180 páginas de Impresso.
Organizado pelo escritor e historiador Rafael Cardoso (O design brasileiro antes do design - Cosac Naify, 2005) e com artigos realizados por historiadores e pesquisadores de arte e design, como Isabel Lustosa, que aborda a evolução histórica da imprensa; Joaquim Marçal Ferreira de Andrade, escrevendo sobre a evolução das tecnologias de impressão; Lúcia Garcia, sobre a formação do acervo da Biblioteca Nacional; e o próprio Rafael Cardoso, que narra a evolução do projeto gráfico. Todos em tom acessível para o leitor que se inicia no assunto. Valéria Lamego, editora e pesquisadora em literatura brasileira, é responsável pela coordenação editorial, resultando uma peça gráfica digna de ocupar o canto mais acessível de uma estante.
IMPRESSO NO BRASIL, 1808-1930/i>
Organização: Rafael Cardoso. Editora Verso Brasileira. !80 páginas. R$ 112, 50. Informações: (22) 2205 7348 ou www.versobrasil.com.br.
Tx to Cedric Pin
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Samba de Uma Nova Gente

Identidade e Cartão para o projeto Samba de uma Nova Gente.
“Samba de Uma Nova Gente” é a história musicada de um personagem que vive e pensa intensamente o Brasil enquanto busca o seu lugar no mundo.São músicas, letras e um roteiro de longa-metragem. Em termos de produção, o trabalho está ainda em fase de elaboração de projeto.
Trata-se de um filme que dialoga com o universo da cultura pop underground brasileira. As músicas transitam entre o rock alternativo e a MPB. A temática é a “brasilidade” do início do século XXI: o que é ser brasileiro nessa época.Os atores não cantam suas falas. Não é, portanto, um musical tradicional. Trata-se de uma ópera-rock, unindo a narrativa mais comum dos longas-metragens de ficção (com ações e diálogos) e a linguagem dos videoclipes.
Saiba mais sobre esse ousado e instigante longa-metragem em:
sambanovagente.com e sambanovagente.blogspot.com/
sábado, 18 de julho de 2009
Exposição - 30 Anos de Fotografia
Caixa Cultural. SBS Quadra 4 lote 3/4, anexo do edifício Matriz da Caixa. Tel: (61) 3206-6456. Até 16 de agosto, diariamente, das 9h às 21h. Grátis.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Arts and crafts e customização,
de volta ao princípio de tudo
(ou 10 novas maneiras de encarar
o artesanato para designers)
Olá pessoal, amigos leitores, curiosos em geral... sei que ando sumida (novamente), mas desta vez é por uma boa causa: resolvi dar vazão a meu lado artesão e botar a mão na massa para produzir algumas coisas fora do computador.Lancei há 2 semanas meu mais novo projeto: um site de customização e acessórios por encomenda.
O endereço é www.lullypop.com (deixa eu fazer merchand, tah). Empresária, eu? Acho que não... Estou mais para hippie-chiq-freakstyle mesmo...
Sempre procurei comprar produtos que traduzissem minha personalidade e tivessem pelo menos algum compromisso social ou sustentável com o planeta. E nós sabemos o quanto é difícil encontrar algo com todas essas qualidades e ainda ter um preço acessível ... Bastou falar em sustentabilidade ou compromisso com o meio ambiente que o preço vai lá para as alturas, infelizmente. Creio eu que pela escassez de produtos com essas premissas, talvez.
Uma opção barata e criativa que venho adotando há algum tempo é a customização de roupas e acessórios. Assim, quando enjôo de alguma peça, não vou simplesmente sair comprando mais e mais, sustentando o consumismo; analiso tudo que tenho disponível nos armários e tenho botar minha cabeça designer para funcionar, transformando problemas que parecem complexos em peças inusitadas e completamente novas.
Customizar é um neologismo criado para exprimir "Personalização". Esse termo vem do inglês “custom”, que quer dizer personalizado, feito sob medida. Toda vez que nos referimos a algo como “custom”, ou então adaptado à língua portuguesa como “customizado”, estamos nos referindo a algo que tenha sido personalizado ao gosto da pessoa.
Assim, devido à necessidade de criação, comecei a fazer peças para mim mesma. Com o tempo, as pessoas começaram a me pedir que fizesse customizações em peças próprias, ou simplesmente inventasse modelos e colocasse à venda. Não vou mentir que ando meio arredia com o computador, meu companheiro de trabalho durante tantos anos... então quando tive a oportunidade de participar de uma oficina de moda e customização e vi as possibilidades que a moda e o artesanato me ofereciam, pirei o cabeção, como se diz. Veja algumas vantagens para os designers:
1. Você cria peças exclusivas e desanexadas de rótulos culturais e modismos, fortalecendo a cultura "handmade" (ou feito à mão), privilegia o mercado local e dissemina o uso de produtos exclusivos e artesanais;
2. Você desenvolve habilidades manuais, um pouco adormecidas nestes tempos cibernéticos;
3. Você amplia sua capacidade criativa experimentando materiais novos e descobre coisas incríveis, que podem ser usadas em seus trabalhos ou para vc mesmo no futuro;
4. Você relaxa o corpo e distrai a mente enquanto cria, sem precisar ficar sentado o tempo na frente de uma tela;
5. Você aplica os conhecimentos adquiridos na faculdade (composição, cor, equilíbrio, etc) e na vida, expressando suas experiências sensoriais e particulares;
6. Você sai do seu mundinho cotidiano de softwares e menus para o mundo real dos objetos, cores, texturas e padronagens;
7. Você amplia consideravel e qualitativamente seu círculo social, conhece pessoas e culturas diversas do glamour habitual dos seus coleguinhas designers egocêntricos;
8. Você é seu próprio chefe e determina quando e o quê você vai fazer;
9. Você ainda tem a possibilidade de ganhar uma graninha extra =)
e última(?), porém não menos importante:
10. Você reaproveita materiais e contribui para uma economia e um modo de vida mais sustentável, não sendo influenciado por modinhas e artimanhas do consumismo-capitalista-
É por essas e outras que comecei, meio que devagarinho, a buscar outras formas de me expressar. Acho que é um bom exercício para sair da cárcere diário que o computador nos impõe. E pensar que quando tinha 8 anos eu fazia roupinhas de tricô para minha boneca e dizia que quando ela crescesse e a roupa não servisse mais, faria uma luva para me aquecer no inverno cruel de Sampa.
É isso aí, reciclar é viver.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
7° Encontro Internacional de Arte e Tecnologia:
para compreender o momento atual e pensar o contexto futuro da arte
Realizado nos dias 1, 2, 3 e 4 do mês de outubro de 2008, contém 16 mesas redondas e duas palestras, uma na abertura do evento e outra no dia 2. Os convidados são pensadores e artistas de renome nacional e internacional que representam a área de arte e tecnologia nos seus estados e no contexto internacional.
Mais informações: http://arte.unb.br/7art
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Fabric-Ado
Peter and Duchamps
Peter Paulo Vitor de Brito. Talvez muitos nomes para uma pessoa só. Mas é que Peter de Brito – aliás, nascido Pedro Paulo – é mesmo um artista multifacetado.Sua obra, que está exposta na galeria Emma Thomas, dialoga com mestres como Duchamp, colocando em xeque a lógica da indústria da fama, e, enfim, a própria lógica capitalista do consumo desenfreado.
Uma das obras expostas é "Auto Retrato", famosas paródias de capas de revista, que já foram expostas em 2006 e deram o que falar. Nelas, Peter de Brito vira ele próprio a celebridade, transformando-se em diversos alter-egos como Paulo Grande, Vitória Littelstone – uma autora lésbica de poesia erótica - e a mais recorrente e enigmática, a figura Darcy Dias, personagem andrógino que lembra muito Rrose Selavy, alter-ego do francês Duchamp. Darcy Dias – nome masculino ou feminino?– aparece tanto na capa da Playbof (paródia da Playboy), quanto na capa da P (paródia da revista G). Esse personagem híbrido, às vezes homem, às vezes mulher, brinca com o conceito de gênero sexual – estanque na indústria cultural; dividido entre a "mocinha" representando as mulheres, e o "galã" representando os homens. Suas paródias subvertem a linha editorial de cada revista, causando humor ao nos revelar o quanto pode ser esquizofrênica a indústria cultural. Dessa forma, a "Vida Simples", uma revista de bem-estar e saúde, com pitadas de auto-ajuda, vira a macabra "Morte Simples", revista que fala de eutanásia, depressão, e de como aceitar a própria morte. Ou seja, uma revista que antes era sobre frescor e vitalidade, vira uma contestadora obra sobre um assunto pouco retratado, um dos maiores tabu da sociedade: a morte.
A revista "Noivas", vira a "Doidas" – publicação sobre a histeria feminina pelo casamento. Já a "Silicone & Lipo", paródia de revistas de plástica, traz uma ácida e hilária matéria: "Plástica no cérebro – bonita por dentro e por fora". Muitas outras pérolas poderão ser encontradas nas 25 capas de revistas, que demoraram cerca de 1 ano e 7 meses para ficarem prontas – uma vez que, além de trabalhosas, Peter também dedica muito de seu tempo como professor de educação física numa escola estadual em São Paulo.
Além das revistas, uma parte toda inédita de seu trabalho também estará exposta. "From Gastão to the world" é composta por sátiras à propagandas de roupas, acessórios e perfumes de grifes. O perfume Chanel vira "Chanal". Vemos uma reprodução perfeita de uma propaganda da Chanel, mas sabemos que é uma falsificação. Vemos uma modelo esbelta de pernas longilíneas e, embora tudo indique que é uma mulher, sabemos se tratar de um homem, o artista Peter de Brito. Suas propagandas nos fazem contestar o limite entre original e paródia. Um incômodo ruído é criado, pois não conseguimos definir esse limite. O cerne do objeto fetichizado pelo status de objeto de grife é, por tabela, contestado. Afinal, o que há de tão chocante e subversivo nas propagandas de Peter, que por mais que suas cópias sejam quase similares às originais, jamais passariam por elas?

Em outro exemplo, a marca LaCoste vira LaFonte, numa óbvia referência à revolucionária obra de Duchamp, "A Fonte"- obra polêmica até hoje, por se tratar por de um mictório assinado pelo artista francês. Naquela época, Duchamp queria redefinir os padrões de arte com seus readymades (objetos prontos conceitualizados pela visão inovadora que um artista poderia lhes incutir). A referência, além de mostrar a fonte em que bebe Peter (com o perdão do trocadilho), é também uma dica do artista para a interpretação de seu trabalho. É como se o artista traçasse um paralelo entre a arte e a grife: o que levou a assinatura de Duchamp é arte, por que assim ele definiu com sua incrível visão de mundo. O que leva a logomarca de uma grife, é chique, elegante e requintado, por que alguém assim definiu, não necessariamente por ser. Assim como muitos podem questionar se o que Duchamp faz é arte, muitos podem questionar o que é um objeto de grife, pois a qualidade não está necessariamente no objeto, mas no conjunto de valores que se atribuem ao objeto. No fim, a sensação que temos da obra de Peter é que não importa se é original ou falsificação, é tudo uma questão de propaganda e de fazer acreditar.
Peter de Brito - de 13 de agosto a 4 de outubro
Visitação: de quarta-feira a sábado, das 16h às 20h
Galeria Emma Thomas: Rua Augusta, 2052, cj 03 - Cerqueira César
Por Gustavo Vinagre
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
II SAMBA – Semana de Produção Multimídia - webdesign, design gráfico e video
II Multimostra (exposição do curso) de 6 a 26 de outubro
1º Salão Dino de Humor do Litoral Paulista
Com Exposição em homenagem ao Caricaturista DINO
Antes de todas as palestras serão exibidos, filmes, músicas, intervenções no anexo ao auditório.
Todos os eventos são gratuitos - entrada 1kg de alimento por evento
tudo será doado para a Rede Sementeira - parceria com ACMD Santos
Mais informações: semanapmm@uol.com.br
dia 6 - segunda
19h - Abertura do 1º Salão de Humor DINO e da Multimostra
20h - Mesa Redonda sobre charge e caricatura com a presença de:
Jal: Criador do Prêmio HQMix - http://www.hqmix.com.br/
Zélio: Grafista, jornalista e escritor - http://www.zelio.com.br/portu/portu.htm
Sônia Luyten: Pesquisadora em Quadrinhos, Humor e Mangá
Mediadores: DaCosta e Bar
dia 7 - terça
20h - Narrativas multimídia e linguagens digitais aplicadas à informação:
Especiais Multimídia no Clarín.com (Argentina) e Infografia interativa no El País e El Mundo (Espanha)
• Daniela Osvald Ramos
dia 8 - quarta - 20h
20h - Conversa do Guto Lacaz
dia 9 - quinta - 20h
20h - A ilusão da vida e a magia da animação
• Lightstar Studios - http://www.lightstarstudios.com/
dia 10 – sexta
20h - Bate Papo com o estúdio de design O Colletivo
http://www.colletivo.com.br/
dia 11 – sábado
10h - E por falar em games
• Osmar Ribas - KR Control
www.krcontrol.com
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Athos de amor à arte: O legado de Athos Bulcão
Morreu, na manhã de ontem, 31 de julho, aos 90 anos, o artista plástico Athos Bulcão. Arquiteto, artista, designer, artesão? Muitas designações, uma só certeza: o professor aposentado da Universidade de Brasília, era muitos, únicos, e um só.Abaixo reportagem da Secom/UnB que preparou um especial sobre o artista.
Legado de Athos Bulcão
O artista plástico deixa conjunto de obras que passa por escultura, azulejaria e serigrafia. Em seu campus, UnB preserva algumas delas.
Da Redação
Da Secretaria de Comunicação da UnB
Conhecido internacionalmente por seus azulejos, Athos Bulcão divide a responsabilidade pela criação de Brasília com Lucio Costa e Oscar Niemeyer. Entre os principais trabalhos, estão obras que podem ser vistas em diversos pontos da capital federal como no Teatro Nacional, na Igrejinha, no Parque da Cidade e em diversos prédios da UnB. Conheça, abaixo, um pouco mais da arte de Athos.
Certa vez, Athos Bulcão disse à
Embora seja um dos artistas plásticos brasileiros com grande reconhecimento no Brasil e no exterior, Athos chegou a afirmar não se sentia realizado. Também disse que sempre os fracassos na vida eram encarados como algo necessário.
Bulcão respirava arte, de todos os tipos. Ele tinha, em seu apartamento na Asa Sul, uma série de pinturas e máscaras. Ele levava para as telas símbolos e figuras característicos de sua obra.
Não foi o diagnóstico do mal de Parkinson que impediu Athos de continuar com seu trabalho. E o que tornava isso possível era, além da perseverança, a disciplina. Para o artista, ela estava estritamente ligada ao prazer.
Athos assinava uma série de serigrafias, feitas ainda no final dos anos 1970.
Todas as fotos: Isabela Lyrio.
**** Veja a galeria de imagens














